“Não interessa quem está pedindo por socorro, o que importa é sua vida, e daremos tudo da nossa para preservá-la”, enfatiza Adriana

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Se existe um trabalho, no qual a rotina não existe é o de bombeiro. Diariamente, eles se deparam com situações inusitadas e emergências. São inspirações para crianças e heróis para muitas pessoas que precisaram de seus serviços. Adriana Andreucci Pedroso atua no Corpo de Bombeiros há cerca de um ano e, por quatro anos, serviu à Polícia Militar. Ela, que já trabalhou em Campinas, Bragança Paulista e Socorro, conta um pouco como ingressou na corporação e os principais quesitos necessários para ser um bom bombeiro.

adriana (7) xxOM – Por que entrou para o Corpo de Bombeiros?

Sou formada em Biologia, e o que me levou a ingressar na PM foi a Polícia Ambiental. Porém, ainda durante o curso de formação, quando tive aula de bombeiros, me apaixonei pelo trabalho. Sinto que o que nos move é um amor incondicional pela vida. Não interessa quem está pedindo por socorro, se é rico, se mora na rua, se está embriagado ou até mesmo um infrator da lei, o que importa é sua vida, e daremos tudo da nossa para preservá-la. Acredito que, quando saímos de casa, não pensamos que algo de ruim pode nos acontecer, e se acontece, pessoas que talvez você nunca tenha visto em sua vida estarão lá, prontas para ajudá-lo, e farão de tudo para que você fique bem. Esta é a essência que me atraiu à profissão.

OM – Por quais etapas teve que passar, até chegar aonde chegou?

Desde que prestei o concurso foram várias etapas; primeiro, uma prova teórica aplicada pela Vunesp, depois exames médicos, teste de aptidão física, testes psicológicos e investigação social. Depois de aprovada passei por um curso de formação, que durou um ano. Para o bombeiro, tive que prestar outro concurso interno, e também fiz uma prova teórica, testes de condicionamento físico e testes específicos para o trabalho de bombeiro, onde os limites são testados; altura e confinamento, por exemplo, e nestes, fobias não têm vez.

OM – Pretende ir mais adiante?

Com certeza! A corporação oferece oportunidades de seguir carreira. Quero ingressar na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, escola de oficiais comandantes.

OM -Você é a única mulher? Já enfrentou alguma dificuldade ou discriminação por isso?

No quartel onde trabalho sou a única mulher na prontidão, atendendo a ocorrências. Dificuldade, não enfrento; tudo é uma questão de treinamento e um pouco de preparo físico; o trabalho, na maioria das vezes, é bem pesado, os equipamentos são pesados e, além disso, é necessária certa agilidade, mas somos uma equipe e trabalhamos sempre em conjunto.

OM – Qual foi a experiência mais marcante que passou dentro da corporação?

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OM – Há algum tipo de ocorrência que faz você sentir algum receio?Já atendi a todo tipo de ocorrência, desde grandes incêndios a acidentes fatais, com vítimas. Tudo marca, lidamos com emoções, tanto das pessoas diretamente envolvidas quanto de familiares ou testemunhas, no local. Mas dentre muitas, a que mais me marcou foi quando fomos acionados, por volta das três horas da madrugada, para atender a um acidente de trânsito, no qual as vítimas estariam presas nas ferragens. Chegando ao local nos deparamos com três adolescentes, que voltavam de uma festa, quando o motorista perdeu a direção do veículo e chocou-se violentamente contra um poste. O motorista ficou gravemente ferido, suas pernas estavam presas e tivemos que cortar o carro para retirá-lo das ferragens; porém, seu amigo, não teve a mesma chance, ele foi projetado para fora, tentamos reanimá-lo, mas seu corpo já estava sem vida, e como se nada mais pudesse tornar aquela situação ainda pior, sua mãe chega ao local, se depara com a cena e, num ato de desespero, abraça seu filho e questiona a Deus o porquê… Nunca me esquecerei disso!

Acho que todas… (risos) Saímos do quartel o mais rápido possível, para agilizar o atendimento, e até esta saída traz certo receio, do tipo “temos que fazer melhor!” Quando saímos para atender um PCR (parada cardiopulmonar), por exemplo, quando cada segundo faz diferença na vida da vítima.

OM – Já sofreu algum acidente, durante uma situação de socorro?

Não. Os treinamentos diários também são para minimizar riscos de acidentes durante o atendimento, não podemos nos tornar mais uma vítima, no local.

OM – Já teve que por em prática os seus conhecimentos de socorrismo, fora das horas de trabalho?

Ainda não. Mas ando sempre com uns pares de luvas na bolsa! Nunca se sabe…

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OM -Acha que os bombeiros são reconhecidos e suficientemente valorizados pelo seu trabalho por parte da população?

Na maioria das vezes, sim. Algumas pessoas voltam para agradecer, o quartel vive cheio de crianças que nos consideram heróis, as pessoas se interessam em saber do nosso dia a dia e sempre terminam falando sobre a admiração e confiança.

OM – Alguma dica para quem quer se tornar um bombeiro?

Digo que é uma excelente profissão, que pode não deixá-lo rico no mundo material, mas trará uma grandeza de espírito, uma sensação de dever cumprido, de amor e a certeza de que, para alguém, em algum momento, você fez diferença, e o melhor, sem pedir nada em troca, simplesmente por amor. E para se tornar um bom profissional exige-se determinação, pois é um caminho um pouco longo a seguir, equilíbrio emocional e preparo físico.

OM – Algo mais?

Gostaria de agradecer a oportunidade de falar um pouco sobre esta nobre instituição, e fiquei muito feliz em saber que nossa cidade ganhará uma unidade. E gostaria, também, de deixar uma breve mensagem: a compaixão, a caridade e o auxílio ao próximo podem e devem ser exercidos em todo momento de nossa vida e, felizmente, eu consegui unir isso à minha profissão, o que faz eu me sentir realizada, trabalhando sempre em prol das pessoas, da natureza e dos animais.

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