O Município completa 94 anos com as mesmas questões, aos 70 anos  

Leitura obrigatória

A edição nº 3.687, de 19 de outubro de 1991, comemora os 70 anos de nosso Jornal O Município, com longa matéria de capa e, na página 5, um artigo de Alberto Mendes fala sobre o jornalismo no interior, cujo conteúdo não difere muito da atualidade, quando estamos completamos hoje, dia 16 de outubro, nossos 94 anos de existência. Naquela época, a presença marcante da TV; hoje, à TV soma-se a Internet, que atinge não só o público local, mas todo o território nacional e o mundo todo, em segundos. Mas, continuamos firmes no objetivo de deixar escrita, nas páginas do jornal, a história de Socorro, como acontece há 94 anos, desde aquele ano de 1921.

O sacerdócio do jornalismo interiorano

Alberto Mendes

Um jornal é feito de notícias como já dizia o “papa” do jornalismo norte americano Pullitzer: – não existem notícias boas ou más. Existem apenas notícias. Podem estas mesmas notícias, receber ênfase maior ou menor em um aspecto negativo u positivo. É o abuso do jornalista ou colunista.

A imprensa interiorana sofre muitas pressões. Não só dos poderes econômicos e políticos, como da própria comunidade em que vive. Se notícia, é sensacionalista. Se não notícia, é omisso é submisso.

Hoje, com a presença marcante da televisão, não só nos lares como na comunidade e até no próprio indivíduo, viu-se a imprensa escrita e falada, mesmo em pequenas cidades, a imprimir um dinamismo e uma postura para coletar matérias. Os custos, não raras as vezes,  ficam bem aquém das possibilidades econômicas e financeiras da empresa.

O proprietário do jornal é obrigado a ser o “Homem dos Sete Instrumentos”. – Redator, revisor, repórter, colunista, administrador, fotógrafo, vendedor, etc.

Vale dizer que fazer jornalismo no interior é quase que um sacerdócio.

Uma entrevista deveria ser gravada, depois datilografada e posteriormente assinada pelo entrevistado, para só então sair a publicação. Isto tem um custo só suportável pelas grandes empresas. Quase que impossível para a chamada imprensa interiorana.

Não são raras as vezes, em que o Diretor tem que retificar na edição seguinte, determinada matéria publicada, pois a mesma fora feita e editada na base da confiança, sem assinatura. Na base do “fio de barba”.

Quando engrossa, é aquele desastre…

Mas com tudo isso, milhares de abnegados proprietários de pequenos jornais vão cumprindo sua espinhosa missão. Sobrevivem financeiramente, com as sobras do fluxo de caixa. Se de um lado o lucro é mínimo, do outro o prestígio é grande. Mas, “status” não paga contas… Mesmo assim, o “status” tem uma grandeza relativa pois é mensurado pela confiabilidade que os leitores dedicam no órgão. A mídia facciosa pode até das bons lucros. Mas “status” é quase que nulo.

Se a grande imprensa é considerada nas democracias como o “Quarto Poder”, a pequena, mesmo conservando as devidas proporções, não chega a tanto.

Numa cidade grande, o distanciamento das pessoas, não possibilita o tráfego de informações. Assim a imprensa é praticamente a única responsável pela formação de opiniões.

Já nas cidades menores, proximidade dos habitantes entre si, faz com que as notícias corram mais rápidas de boca em boca, do que a imprensa pode veicular. Existe sempre uma opinião formada antes de que o “Quarto Poder” local, possa influenciar de uma maneira palpável.

Muitas histórias poderiam ser contadas (e boas histórias) por um jornalista experiente sobre a imprensa – fatos tristes, alegres, pitorescos, humanos, etc. Não cabe a nós aprofundamento maior, pois somos apenas humildes leitores.

 

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