ONG São Lázaro fala sobre o fim do convênio com a Prefeitura  

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Desde novembro do ano passado, o convênio entre a prefeitura e a ONG São Lázaro, que durou um ano, não existe. Representantes da entidade procuraram nossa redação, para comunicar que o trabalho da ONG em prol aos animais continuará sendo feito, com a mesma dedicação, porém, seu vínculo com o canil municipal foi cortado totalmente. “E ainda estamos sem nenhuma resposta, sobre o porquê o convênio não foi renovado. Em setembro, nos reunimos com o prefeito, em seu gabinete, o qual, naquela ocasião, demonstrou o total interesse em manter a parceria; então, nas primeiras semanas de novembro, antes do vencimento do contrato, no dia 20, protocolamos um ofício no Centro Administrativo, confirmando a intenção de renovação”, disse a ONG.

Porém, sem resposta alguma ao seu ofício, exatamente no dia 20 de novembro, a então veterinária responsável pelo canil entrou em contato com os responsáveis, informando que o convênio não existia mais, que o local seria administrado somente por ela e que fossem até lá para retirar todos os medicamentos que haviam sido doados por eles, inclusive o cadeado, já que seria trocado. “Fomos até lá e pegamos tudo o que nos pertencia. Entregamos todas as carteirinhas de vacinação, que estavam em dia, inclusive demos informações sobre a data da próxima vermifugação, que já estava agendada. E, para nossa surpresa, ela ainda nos pediu que ficássemos afastados do canil, por 15 dias”, relatam os representantes da entidade. “Quando voltamos, juntamente com as crianças voluntárias que trabalhavam com a gente, os cães já apresentaram uma mudança de comportamento, estavam assustados, estressados, deixando muitos com medo de levá-los para um passeio”.

No início do ano, a ONG ainda foi convidada a participar de um mutirão de banho no canil, quando notaram que o local, dois meses depois, já havia sofrido as consequências da ausência do trabalho que vinha sendo feito, ao longo de um ano de convênio. O Canil se encontrava superlotado, com mais de 50 animais, sendo que, meses antes, era comemorada a quantia de 32 cães, graças as adoções que vinham ocorrendo. “Muitos destes cachorros que ali estavam, eram animais que foram adotados e devolvidos, posteriormente”, comentam eles. Isso sem falar dos inúmeros casos de carrapatos e suspeita de erliquiose, doença transmitida por tal parasita. “Na ocasião, constatamos que vários cães apresentavam a gengiva esbranquiçada, um dos sintomas da doença; diante disso, alertamos os responsáveis e doamos os medicamentos para tratá-los. Infelizmente, um dos animais que apresentavam estes sintomas, inclusive nem demos banho nele, acabou falecendo logo após ser adotado e a responsabilidade foi jogada totalmente sobre a ONG. Diante desta situação, decidimos que não trataríamos e nem participaríamos de quaisquer assuntos e atividades referentes ao canil municipal. Temos consciência que cabe aos administradores responsáveis o compromisso de trabalhar pelos animais que ali estão”, declarou a ONG que continua se disponibilizando para compra de medicamentos, caso seja necessário, porém, somente mediante a um ofício. “Na última visita ao canil notamos que lá só existiam os medicamentos doados por nós, portanto, vemos a importância do nosso trabalho naquele local”.

“Para encerrar, lamentamos muito o encerramento deste ciclo, deste trabalho que tão bem fez, não somente aos cães do nosso canil, mas também aos voluntários, entre eles, alunos de três escolas com as quais fizemos uma ótima parceria, os quais, semanalmente, visitavam o canil, ajudavam na limpeza, no banho, passeavam com os cães e não descansavam enquanto um deles não era adotado, publicando constantemente suas fotos, nas redes sociais… Reiteramos, aqui, nossa indignação, e ainda pedimos respostas: por que o convênio não foi renovado, sendo que estava indo tão bem? Os medicamentos eram comprados, tínhamos parcerias com quatro veterinários que se colocavam à disposição de nossos animais, visitávamos o local, dávamos banho nos cachorros, saíamos em busca de contribuições, realizávamos adoções… Fizemos nossa parte; quem não cumpriu com o combinado foi a Prefeitura, que não doou as 240 castrações combinadas no convênio. Mais uma questão: o novo canil contará com 26 baias… o que acontecerá com o resto dos animais? Sentimos muito por eles, pois criamos um vínculo, e tememos que esta situação não só continue, como piore”, encerram eles.

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A ONG São Lázaro recebeu fotos de uma turista que visitou recentemente o Canil e se mostrou preocupada pela situação em que o local se encontra

 

Trabalho pelos animais

A ONG São Lázaro comunica que continuará com o seu trabalho, em prol aos animais, providenciando internações, atendendo aos animais de rua e às pessoas carentes que a procura, diariamente, e que o foco da instituição ainda será a castração, com a meta de 2 a 3 semanais. Os esclarecimentos e orientações também serão dados por meio de sua página no Facebook e a divulgação de casos de achados e perdidos, e de adoção.

 

 

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