Papa Francisco renova a fé cristã: socorrenses contam o que sentiram na Jornada Mundial da Juventude

Leitura obrigatória

Falar da vinda do papa Francisco ao Brasil é uma emoção única para mim, que escrevo, para quem me deu depoimentos e que estiveram bem próximos dele e para os padre Vicente e José Carlos, que o têm como o pai de todos nós.

Acho que não preciso entrar em detalhes: sua presença em nossas casas, pela televisão, foram marcantes e exemplo de humildade, simplicidade e amor, que transmitia a cada gesto, a cada palavra, em cada cerimônia ou visita feita. Se ele levou saudades, deixou saudades no coração de milhões de brasileiros. Mas o papa Francisco prometeu: estará de volta ao Brasil, em 2017, para a comemoração dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Conceição Aparecida. Começa a contagem regressiva…

Aparecida do Norte

Lila Carvalho, junto com mais 17 pessoas: Darcy, Lourdes, Rosangela, Rose, Graça, Alessandra, Silvio, Amanda, Rafael, Sebastião, Matheus, Carolina, Doraci, Silvana, Elaine, Igor e o seminarista Emerson saíram de Socorro às 18 horas do dia 21, chegando a cidade de Aparecida às 21h30, e já ficaram na fila, enorme, para entrar na Basílica, onde o papa Francisco celebraria a missa. Pegaram chuva, sentiram cansaço, mas nada tirou o ânimo do grupo. Durante a madrugada fria pegaram um violão e todos que ali se encontravam ficaram cantando, para esperar o amanhecer. Às 7 horas do dia 22, a fila começou a andar, ganharam a pulseirinha que permitia a entrada na igreja, passaram por detectores de metal e, finalmente, estavam sentados, dentro da Basílica, esperando o início da missa. “Quando a imagem de Nossa Senhora Aparecida rodou, para ficar de frente ao papa, na capela, o silêncio dentro da igreja foi profundo. Todos os olhares no olhar singelo com que ele olhava para nossa padroeira. Um encontro de amor”, conta Lila que, na igreja, encontrou-se com mais dois socorrenses, José Luiz e Ana, que para lá foram de carro.

E o papa passou bem pertinho deles, a um palmo de distância, com seu sorriso amigo e mãos que abençoavam a todos. “Foi uma coisa incrível! Você fica paralisada. É uma coisa mágica, eu estava com duas máquinas e não consegui me mover, para tirar as fotos. Foi uma celebração simples, normal, mas todos estavam estasiados pela presença doce e marcante”, conclui Lila.

Rio de Janeiro

Para os jovens que foram ao Rio de Janeiro, a emoção não foi menor: André, Bruna, Elisângela, Patrícia, Vanusa, Leandro, Natan, Alexandre e Alan ficaram hospedados no Bairro Pechincha, em Jacarepaguá – elas, com uma família e eles, com outra.

O acolhimento foi muito grande. Alexandre e Alan disseram que os rapazes ficaram na residência de uma família humilde, onde nada faltou a eles: “Tivemos amor, carinho, afeto, eles nos davam até o que não tinham. E isso marcou muito, como o que falou o papa Francisco, em seu primeiro discurso: Peço licença para tocar seu coração. Não trago ouro nem prata, mas trago Jesus Cristo”, lembra Alan.

Outro momento, entre tantos profundos e marcantes, foram os três dias de catequese na Cidade da Fé, no Rio Centro, quando os jovens foram catequisados por bispos e arcebispos de seu próprio país, divididos por línguas, no período da manhã. No caso de nossos jovens, o 1º encontro foi com dom Alberto, bispo de Belém, do Pará. No período da tarde, encontro com novas comunidades, do Movimento Renovação Carismática Católica, com um trabalho intenso e presença do padre Reginaldo Manzotti.

E por quatro vezes eles estiveram próximos do papa Francisco, quando ele passava devagar, no papamóvel, sorrindo, abençoando e parecendo olhar em seus olhos. Tiveram “a sorte” de poder vê-lo de perto, mesmo sem tocá-lo. E suas palavras, o amor aos jovens, as lições, os conselhos ficaram marcados para sempre e dão forças para renovarem a cada dia a fé na Igreja.

E é com essa fé e esperança de um reencontro, que eles pensam em começar um trabalho, um grande movimento entre os jovens, para irem em grande número para Cracóvia, na Polônia, na próxima Jornada Mundial da Juventude, em 2016. Querem, novamente, estar próximos do santo papa.

 Padres Vicente e José Carlos

Para o padre Vicente Rosa Junior, o papa Francisco “foi um sopro do Espírito Santo à Igreja. Ele veio para mostrar a figura de Deus por meio da simplicidade, humildade, acolhimento, coisas que ele sempre fez em sua vida e continua a fazer como papa”, ressalta nosso pároco.

“Para os jovens, foi uma confirmação no caminho de Cristo, para continuar na perseverança, na busca de Deus, na evangelização. Que os jovens continuem no que o papa falou: Ide, e fazei discípulos, uma frase com o mesmo sentido da frase que São Francisco falou aos seus discípulos: Evangelizem sempre; se precisar, usem até as palavras”, conclui padre Vicente, que considera essa visita do nosso papa, uma injeção de ânimo, de forças, de confirmação da fé, de renovação… Uma injeção de amor aos povos e à Igreja, de modo especial aos jovens e aos idosos, as duas pontas da humanidade, como ele não se cansou de ressaltar. Um presente de Deus para o Brasil.

Para o padre José Carlos, da Paróquia Aparecidinha, “a visita do Papa trouxe para nós, brasileiros, cristãos católicos, um grande estímulo na Caminhada Pastoral e na Vida Espiritual”.

Odete integrou grupo missionário

Quem também esteve na JMJ foi Maria Odete Lisparini Zucato, inscrita no Pime – Pontifício Instituto Missionário, presente em todos os continentes. O grupo paulista partiu em 7 ônibus, passando pela Aparecida, para assistir à missa, no dia 21, seguindo depois para o Rio de Janeiro, onde ficou hospedado na Ilha do Governador, na paróquia Nossa Senhora Aparecida. Ali se reuniram 2500 pessoas de São Paulo, Sergipe, Macapá, Bahia, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Guiné Bisal, Chile e Venezuela.

Na catequese, Odete ficou junto com as pessoas que falavam o português, tendo à frente o bispo de Angola. “Foi um momento em que você vê a Igreja como unidade, universalidade e, na diversidade de cada povo, todos tendo Cristo no centro. É esse amor que tem de ser vivido. Foi uma experiência maravilhosa. Você vê que é igualzinho a todo mundo e todo mundo é igual a você”, diz Odete.

Todos os dias ela viu o papa Francisco bem de perto e viveu essa experiência que valeu a pena, apesar do cansaço que às vezes chegava, mas era logo afastado, pela energia que unia todos em Jesus.

“Valeu a pena fazer a experiência de Deus, na vida. O papa, como sucessor de Pedro, simbolizava Cristo em nosso meio. Ele é um papa que veio para levantar o ardor, a beleza de ser cristão, de ser católico apostólico romano. A Igreja precisava disso. O papa Francisco veio para renovar”, conclui Odete.

“Existia lá uma energia inenarrável”

A princípio fui ao Rio de Janeiro para passar uma semana de férias, e já havia escutado que o papa viria ao Brasil, mas como não sou, ou melhor, não era (risos) uma pessoa muito religiosa, não tinha visto que tudo aconteceria na mesma época que eu estaria de férias.

Ao começar a vivenciar a chegada dos peregrinos e missionários, já no dia 19, pude observar e vivenciar a importância e a grandeza da JMJ. A emoção de ver tantas pessoas jovens, religiosas, de paí-ses diversos, com muita energia positiva, contagiava todos nós que estávamos lá, e eu não pude evitar de sentir toda essa energia. Tinha voo marcado para o dia 24, mas consegui alterá-lo e ficar no Rio de Janeiro para um dos dias mais incríveis que já vivi em minha vida. Todas aquelas pessoas, jovens de todas as idade e nacionalidades em um só lugar e sendo abençoados de maneira tão carinhosa pelo nosso querido papa Francisco.

Existia lá uma energia inenarrável, inescapável, que independe e de sua escolha religiosa e convidava as pessoas a refletir. Consegui rever meus conceitos como mãe, como professora e como ser humano; aprendi muito, aliás, aprendi e vou continuar aprendendo sempre, as palavras sábias, o carinho e a humildade do papa para com todos nós, nos mostrando o quão grande é seu coração…

Em momentos de reflexão, o que me ficou na memória de tudo isso, para sempre, foi que, para termos uma vida melhor, temos que ter no dia a dia “ética, paciência, solidariedade e amor, para caminharmos sempre no bem ao próximo”…

Rosiane Marcolino Lemos

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