Problemas na escola, choro frequente e irritação: sintomas mostram que a criança não está bem  

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Como uma criança pode ter problemas, a ponto de precisar de um psicólogo? Você já pensou nessa questão? Sabemos que cada criança, a sua maneira, compreende tudo o que ocorre à sua volta, e percebe como as questões do mundo que a cerca podem se vincular a ela.

Nesse sentido, o jornal O Município entrevista, nesta semana, a psicóloga Larissa Bueno Boarretto, formada pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho- Unesp Bauru (CRP 06/131956). Confira:

Como funciona o trabalho clínico com crianças? Qual a importância do acompanhamento dos pais?
O trabalho clínico infantil, segundo a abordagem comportamental, focaliza a criança e seu inter-relacionamento com o meio, ou seja, busca analisar como a criança se comporta em relação às pessoas que estão à sua volta e aos estímulos apresentados a ela. Inicialmente, é realizada uma entrevista com os responsáveis, com a finalidade de explorar a dinâmica familiar, compreender o motivo da busca pelo tratamento e investigar a história de vida da criança e de sua família.

Após essa entrevista, é realizado um planejamento, no qual são estabelecidos os objetivos da psicoterapia e selecionadas as técnicas que serão utilizadas com a criança e com os pais, durante o processo terapêutico. O planejamento é flexível, podendo ser alterado durante toda a terapia, para se adequar às alterações do diagnóstico e às necessidades da criança. Durante o processo de psicoterapia, o profissional realiza avaliações dos efeitos das intervenções, com o objetivo de identificar quais técnicas estão sendo eficazes e quais precisam ser modificadas, para que os objetivos estabelecidos possam ser atingidos.

É importante ressaltar que, durante todo o tratamento, é fundamental a colaboração e trabalho conjunto com os pais, pois muitos comportamentos queixa precisam ser solucionados a partir de mudanças no ambiente e readequação da postura dos pais. Assim, para o tratamento ser efetivo, é fundamental a tríade criança – pais/responsáveis – terapeuta estar alinhada.

Quais os recursos mais utilizados para facilitar a interação entre a criança e terapeuta?
Na terapia infantil, são utilizados recursos como: jogos, histórias, desenhos, filmes, representações, brincadeiras, personagens, entre outros. Esses recursos são utilizados, pois, por meio da brincadeira, a criança representa suas vivências e repete o conflito e o problema enfrentado. A utilização das técnicas da psicologia comportamental, aliada ao uso dos recursos mencionados, contribui para elaboração das vivências da criança e pode promover o enfrentamento dos conflitos vivenciados por ela. Para esse processo ocorrer, é essencial que seja estabelecido um vínculo com a criança, de modo que ela possa confiar e aceitar a ajuda do terapeuta.

No primeiro encontro, o psicólogo busca investigar o que a criança sabe sobre a terapia e orientar os pais sobre como eles podem explicar a ela sobre esse tipo de trabalho. Nesse primeiro momento, o profissional explica à criança que ela pode conversar sobre qualquer assunto com o terapeuta, e que tudo o que ela trouxer em sessão será segredo absoluto. A confiança é conquistada aos poucos, pois algumas crianças se abrem com mais facilidade, já outras são mais resistentes.

Durante o processo terapêutico, o psicólogo procura ter um olhar sensível para propor atividades que gerem confiança na criança, atentar-se a todos os sinais trazidos por ela, criar um contexto agradável para a mesma, que a faça querer retornar às sessões, além de estabelecer regras e observar seus comportamentos, tendo em vista a formação das hipóteses de trabalho. Manter um trabalho assíduo e com grande colaboração dos pais também é um desafio, porém, fundamental para a efetividade do tratamento.

Como lidar quando os pais são divorciados?
As técnicas utilizadas são planejadas da mesma forma, conforme citei acima. O que muda é que a criança tem uma história de vida diferente e seu ambiente familiar passou por mudanças. Isso pode ou não trazer prejuízos à criança, vai depender de como a família lidou com as transformações e deu o suporte adequado e necessário a ela. No caso do acompanhamento que realizo com os pais, as sessões podem ser separadas, conforme necessário. O importante é os pais estarem dispostos a cuidar do filho e atender às suas necessidades, procurando manter um diálogo aberto e coerente sobre a educação da criança e participar do desenvolvimento da mesma, de forma presente e efetiva.

Qual o sinal de que a criança pode estar precisando de ajuda?
A criança demonstra não estar bem de diversas maneiras; por exemplo, quando apresenta problemas na escola (dificuldade pedagógica e/ou de relacionamento com professores e colegas), sintomas físicos, choro frequente, irritação, agressividade, queda nas notas e comportamentos inadequados.

Basicamente, quando a criança revela comportamentos que se afastam de uma norma, porque ocorre com uma frequência, intensidade ou duração que os adultos significativos do seu meio julgam ser muito alta ou muito baixa, isso significa que tem algo que precisa ser investigado.

Muitas vezes, a criança não se abre com os pais, pois eles podem estar envolvidos com a queixa da criança, por isso a importância de ter um profissional para acolher e auxiliar essa criança, já que é alguém neutro e com olhar técnico, que pode auxiliar a dinâmica da família. É muito importante que os pais sempre estejam atentos aos filhos e se mostrem abertos a conversar e acolher a demanda trazida por eles. Com isso, auxiliam a criança a lidar com as mudanças ocorridas em cada fase do desenvolvimento e a crescer amparada e saudável, sabendo enfrentar os desafios.

A partir de que idade uma criança pode começar a terapia? De quanto em quanto tempo devem ser os atendimentos?
Não existe ao certo uma idade, mas por volta dos três, quatro anos, a atividade principal da criança passa a ser o jogo ou a brincadeira. Utilizando-se dessas atividades, a criança apossa-se do mundo concreto dos objetos humanos, por meio da reprodução das ações realizadas pelos adultos, com esses objetos. As brincadeiras das crianças não são instintivas e o que determina seu conteúdo é a percepção que a criança tem do mundo. A partir dessa fase do desenvolvimento, é possível entender como a criança vê o mundo e qual a representação dos papéis sociais para ela, bem como auxiliá-la na leitura do ambiente vivenciado e no entendimento do que controla o seu comportamento e o que o mantém.

A frequência dos atendimentos varia com a necessidade de cada caso e de acordo com a possibilidade de cada família. Inicialmente, é sugerido uma vez por semana, para possibilitar a criação do vínculo com a criança e auxiliar na investigação da queixa. A sessão com os pais pode ser uma vez por mês ou quinzenalmente, tudo será pré-estabelecido, conforme a particularidade de cada caso. Por fim, o trabalho se encerra quando a criança, diante de uma série de condições do ambiente, possa apresentar comportamentos que a levem para uma vida mais saudável.

Serviço – Larissa Bueno Boarretto atende no Estúdio Corporales, Clínica Bem-Estar, e Consultório à Rua Treze de Maio, nº 200. Contatos: (19) 3895-3846 e 3895-2511, email lari_boarretto@hotmail.com.

 

 

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