Professor Jair Bueno representará o país em Congresso Pedagógico de Xadrez, na Colômbia  

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JAIR xadrez 2O professor de matemática Jair Bueno será o único brasileiro a representar o Brasil, no Congresso Pedagógico de Xadrez, que acontecerá nos dias 6 e 7 de novembro, em Bogotá, na Colômbia.

O evento reunirá professores e profissionais que trabalham com o xadrez pedagógico, aplicando-o em sala de aula e utilizando-o como ferramenta de evolução de seus alunos. “Diferente do xadrez de rendimento, que busca formar campeões, o xadrez pedagógico é utilizado para melhorar a atenção, concentração e memória dos estudantes, utilizando a técnica do ‘protoxadrez’, que une a modalidade a outro minijogo. Inclusive, eu mesmo tenho dois minijogos de autoria própria”, afirma o professor que, em junho, esteve no I Congresso Internacional de Xadrez, que contou com representantes de três países e dez estados brasileiros, pela primeira vez no país, para compartilhar a cultura esportiva do xadrez por meio de um intercâmbio de experiências educacionais, na modalidade.

Assim como no Congresso em Mato Grosso, Jair apresentará seu trabalho “Estudo Comparativo Quantitativo da Atenção e Memória de Crianças do Ensino Fundamental através do Jogo de Xadrez”, desenvolvido na Escola Viverde, aqui em nossa cidade.

“Neste projeto, o xadrez é utilizado como a ferramenta para auxiliar os alunos, na melhora e eficiência nos estudos, na disciplina de matemática. A ideia veio em 2014, quando ensinei a técnica aos estudantes e começamos a praticá-la nos intervalos, como forma de diversão. O interesse foi tanto, que eles mesmos sugeriram a implantação de uma oficina de xadrez, a qual iniciei e, a partir daí, passei a avaliá-los, registrando sua evolução, no início do ano”, conta ele, que refez o teste em julho e está colhendo os novos dados obtidos, para apresentá-los na Colômbia.

Para ele, o ganho dos alunos vai além da memória e atenção, e esta ferramenta pode ser muito útil em diversos âmbitos da educação dos alunos, fazendo diferença até mesmo no contexto social. “Tanto, que já estou iniciando, voluntariamente, a implantação deste projeto piloto na EM Profª Benedicta Geralda de Souza Barbosa. Minha intenção é utilizá-lo como tese de meu mestrado na Unicamp, aplicando-o em diversos meios de convivência, como uma escola pública, particular e até mesmo com adolescentes infratores e esportistas, para acompanhar quão importante o xadrez pode ser na evolução do ser humano”, completa.

Para o professor, a experiência será única, para trocar experiências e aperfeiçoar ainda mais seus projetos. “Sinto-me lisonjeado em ter a oportunidade de estar ao lado de grandes nomes da América e Europa e poder apresentar meu trabalho. Creio que poderei tirar o máximo de proveito nesse evento, e aprender muito, para repassar tudo aos meus alunos”, diz ele, que tentará fazer de Socorro a sede do II Congresso Internacional de Xadrez.

JAIR xadrez 1

Mais de 21 anos de dedicação

O xadrez entrou na vida do professor Jair Bueno, antes mesmo dele pensar em entrar na profissão. Ele conta que, em 1994, mudou-se para Socorro e conheceu a grande referência socorrense de damas, Alcides Sartori, e começou a treinar com ele e participar de campeonatos. “Em 1998, ficamos em 4º lugar no estado e, em 1999, fomos vice-campeões estaduais, com a professora Lilian Pegorin. E foi nesse momento que percebi o quão bem a modalidade, que é uma premissa do xadrez, me fez. Ajudou-me na escola, incentivou-me a estudar mais, pesquisar e deu-me mais paciência”, lembra-se ele.

Porém, mesmo apaixonado, o professor destaca que se sentia frustrado, pois, diferentemente de damas, era muito difícil encontrar alguém, na cidade e na região, com quem pudesse jogar xadrez.

O tempo passou e, depois de formado, já lecionando, teve a oportunidade de usar a modalidade em um projeto pedagógico. “Comecei com alguns casos, de alunos que apresentavam certa dispersão nas atividades e falta de atenção. Nesse momento, lembrei-me da diferença que o xadrez fez na minha vida escolar e comecei a pesquisar as técnicas do xadrez pedagógico. Apresentei o projeto na Escola Viverde e, de imediato, recebi o apoio da diretora Aline Lincoln e coordenadora Raquel Sartori, que decidiram abraçá-lo. Os alunos gostaram e, hoje, estamos colhendo os resultados”, comemora.

E, além dos projetos pedagógicos que tem em mente, Jair se reúne às quartas-feiras, às 19h30, no Ginásio Municipal de Socorro, para ensinar a técnica da modalidade. Diante do sucesso de seu trabalho, o professor decidiu realizar o Festival Enxadrístico Zuleika Junchi Bueno que, no final deste mês, entra em sua terceira etapa e conta com 72 crianças. “Foi uma emoção indescritível ver aquela quadra do ginásio repleta de mesas com tabuleiros e os alunos empenhados em estudar e jogar, sendo que há 21 anos, não tínhamos condição alguma de praticar. E isso me dá esperanças de realizar meu sonho, que é transformar nossa cidade em uma referência no xadrez, e potencial nós temos. O xadrez é uma das modalidades que menos exige custo e manutenção, e só traz benefícios para quem o pratica”, declara o professor.

Ele explica que, no xadrez pedagógico, não há perdedor e nem ganhador, e o objetivo é mostrar para a criança que o único adversário é ela mesma. “É ela que tem que evoluir para ganhar de seu opositor, que não será pior que ele, caso ele ganhe e, sim, foi ele quem estudou e aprendeu o suficiente para vencer”.

“Quando fazemos o que gostamos, o ofício deixa de ser um trabalho e passa a ser um passatempo. Apesar das dificuldades, quero manter meus projetos e mostrar a importância da modalidade no ensino pedagógico e na vida social de nossos alunos”, encerra Jair.

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