Raízes do Mito: o futebol retratado em diversos dialetos unidos pelo mesmo sentimento

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No dia 29 de novembro, sexta-feira, será lançada, no Museu Municipal, a obra Raízes do Mito, escrita e ilustrada pela jornalista Isabela Fernandes Rosa e pelo fotógrafo Daniel Rosa. O projeto tem como objetivo mostrar a paixão do brasileiro sob todos os ângulos, desde a tradicional pelada entre crianças, no campo de terra batido com “traves” feitas de chinelo, até a paixão dos torcedores fanáticos pelos seus times.

O projeto de escrever o livro surgiu em 2010 e, segundo o casal, o título Raízes do Mito já foi enviado, juntamente com a proposta, para o Ministério da Cultura que aprovou e, por meio da Lei Rouanet, foi possível obter o patrocínio para a execução da obra.

Para isso, eles percorreram 12 estados brasileiros, focando as cidades-sedes da Copa do Mundo de 2014 e, nelas, buscar todas as culturas das diferentes regiões do nosso país. “Nós nos deparamos com muitas histórias de clubes, dos torcedores e do nascimento do futebol, nesses locais. O que mais chamou a atenção foi que a paixão nasceu praticamente na mesma época, em diversos locais totalmente diferentes, num tempo em que não havia uma mídia tão abrangente, como hoje. São clubes do norte a sul do país, com a diferença de meses de inauguração, entre eles”, afirma Isabela.

“Nesses lugares, o esporte chegou por meio dos filhos das famílias nobres que iam para a Europa estudar e, ao voltar, traziam consigo as regras e a bola de futebol. Assim que chegou, o futebol cativou tanto o brasileiro que, mesmo com tantas culturas variadas, a diferença entre elas ficam inexistentes diante do esporte, que une todos os dialetos, em um vocabulário universal”, completa Daniel.

Os autores da obra contaram histórias curiosas, como os termos utilizados de diferente formas, em diferentes regiões. Por exemplo, o uniforme dos jogadores é chamado de farda, em cidades do Sul e do Nordeste, assim como que a nossa famosa “pelada”, para os nordestinos, é uma “baba”. “Apesar das diferentes formas de se expressar, todas as ‘tribos’ pelas quais passamos, inclusive as indígenas, se assemelharam pela receptividade com que nos receberam, sempre dispostos a nos ajudar, a ir atrás de dados históricos e personagens marcantes de cada equipe; isto foi muito bom pra gente”, ressalta o fotógrafo.

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Isabela e Daniel ao lado do “Zé do Rádio”, torcedor-símbolo do Sport Recife

Outra curiosidade é que, para o torcedor ser fanático, seu time não precisa estar na elite dos campeonatos nacionais. “Em cidades do Norte e Nordeste, principalmente, muitas equipes estão abaixo da elite nacional, porém, seus torcedores criam campeonatos para disputarem entre si. Torneios que são levados tão a sério quanto um Brasileirão, por exemplo”, diz a jornalista. O fotógrafo lembra-se de um torcedor tão fanático pelo seu time “Alecrim”, que deu para sua filha o nome de “Mircela”, alecrim ao contrário, justificando que, com nenhuma outra equipe, a inversão ficaria tão boa quando a do seu time.

São cerca de 100 entrevistas feitas, em 22.600 km rodados pelo país e mais de 30 mil fotos tiradas, em dois anos de trabalho, com as melhores selecionadas para entrar na obra final do casal. “Não temos histórias de campeonatos de tal ano, ou da seleção de tal década. Temos a história do futebol pelo Brasil, que ficará sempre recente, para a história dos amantes desse esporte”, enfatiza Isabela.

Exposição das fotos

Junto com o lançamento da obra, no dia 29, será realizada uma exposição fotográfica até o dia 20 de dezembro, além de uma projeção de slides com fotos que não entraram no livro e nem na exposição.

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