Se em 1988 estava assim, imagine em 2014!

Leitura obrigatória

A edição número 3.347 de 10 de dezembro de 1988, fala de corrupção no meio político, em artigo que poderia ser escrito hoje.

Se a moda pega…
Com a voz embargada pela emoção, durante mais de vinte e cinco minutos, falando pela televisão para uma audiência massiva, o ex-mandatário da Coréia do Sul, Chun Doo Hwan, assim falou: – “É mais do que insuportável, para mim, enfrenta-los e confessar meus atos vergonhosos”. E concluiu pedindo humildemente o perdão de todos para, ato contínuo, devolver aos cofres públicos os bens particulares que conseguiria por meios ilícitos.

Encerrado o pronunciamento, segundo se comenta, o ex-general teria ingressado num mosteiro no norte do país para, em reclusão, purgar a culpa da corrupção.

O inusitado episódio não poderia deixar de oferecer material para nossa reflexão. Em primeiro lugar na direção da constatação de que a corrupção campeia pelo mundo afora e é diretamente proporcional ao nível de concentração do poder, igualado por baixo as ditaduras na Coréia, Argentina, Chile, União Soviética e Brasil.

Em segundo lugar, no reconhecimento de que somente uma base filosófico-moral muito forte, como no caso do budismo, consegue produzir o clima necessário para uma autocrítica destas proporções.

Se a moda pega por aqui e cada corrupto resolver fazer uma auto-crítica de vinte e cinco minutos, o tempo das emissoras de televisão estará congestionado pelos próximos meses e não haverá mosteiro suficiente para abrigar tanto malandro. Uma triste e dolorosa realidade de nosso país que resolveu substituir as leis morais pela lei de Gerson: “O negócio é levar vantagem em tudo, certo?”.

Eduardo Laperte

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