Se você sorrir ou chorar, o preço é o mesmo; então escolhi sorrir e aceitar, relata Susy Bastos

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Há um ano e meio, a cantora socorrense Susy Bastos recebeu uma notícia que mudaria a sua vida: estava com câncer de mama. Ao invés de se entregar à doença, ela resolveu levantar a cabeça, sorrir e aceitar a situação, apesar de tudo que teve que enfrentar. Hoje, curada, de volta aos palcos e à sua rotina, ela relata toda a sua experiência e destaca a importância dos exames preventivos e do diagnóstico na hora certa.

Qual foi sua primeira reação ao receber o diagnóstico?
A minha primeira reação foi de pesar, tristeza, uma sensação de impotência e de injustiça, indescritíveis. Chorei muito!

Quais foram os sintomas? Você fazia os exames preventivos?
Não tive nenhum sintoma, descobri por acaso, me tocando,  fazendo autoexame.
Sempre fiz exames preventivos e depois dos meus 30 anos, os exames passaram a ser anuais, até pelo meu histórico familiar, em particular o do meu pai, que já sofreu com a doença. Mas, como já citei, sempre fiz o autoexame e, numa dessas vezes, percebi que havia algo diferente, uma bolinha pequena e firme.

Passado o susto da notícia, como passou a lidar com a doença?
Aí vem a questão: como lidar? Isso é uma loucura, mas você vai ter que lidar! Então, enxerguei dois caminhos: ou eu encarava e aceitava, sem revolta, ou não encarava e nem aceitava. É uma etapa que não dá pra pular; se você sorrir ou chorar, o preço é o mesmo; então escolhi sorrir e aceitar, aproveitar ao máximo aquela oportunidade para entender algumas coisas e aprender outras.
Ao invés de questionar: Deus, por que comigo? Pensei: por que não comigo? O que me faz pensar que sou tão especial e diferente das outras mulheres, que não poderia ser comigo? Esse tipo de aprendizado não se tem no palco. O palco é um lugar onde você faz a diferença, mas não a faz diferente.

Como a família lidou com a situação?
Minha família, por parte da minha mãe, ficou muito abalada, mas também muito unida; todos me confortavam como podiam, e uma tia, de modo especial, porque ela é especial – a Vera – foi quem mais se dedicou ao meu tratamento e fez questão de estar presente em todas as horas possíveis.
Já a família por parte do meu pai, que é de onde vem todo esse histórico, e talvez de quem eu esperava mais força, por sua vez, não esteve presente, em nenhum momento; somente um primo me visitou, durante meu tratamento, o que foi surpreendente, porque há muitos anos não tínhamos mais contato, e ele se faz presente até hoje.
Falo isso sem mágoa, sem melindres e, nem de longe, isso seria um desabafo, porque eles são ótimos e eu os amo muito! Mas, por que estou dizendo isso e, de certa forma até expondo minha família? Porque o assunto, aqui, é sobre estar doente, é sobre estar vulnerável, é sobre esperança, é sobre estar carente, é sobre  expectativas que às vezes criamos e nos frustramos; e, muitas vezes, a força vem de onde menos esperamos!
Não devemos julgar e nem nos magoar com aqueles que não vêm ao nosso auxílio, porque, muitas vezes, não estão preparados. Não é falta de amor; na maioria das vezes falta força. Se você não tem força para consigo, como dar uma força para o outro?

Como foi o tratamento?
O tratamento foi terrível,  foi um ano e meio de tratamento, muita quimioterapia, radioterapia; a perda dos cabelos, dos cílios, dos pelos do corpo, em geral, faz com que a autoestima fique muito baixa, o que é outro grande aprendizado: a vaidade.
Durante este um ano e meio, junto com as quimioterapias, também fiz tratamento alternativo, com remédios fitoterápicos,fiz tratamento espiritual, tomei muitos passes, fiz cromoterapia, fiquei mais perto de Deus e não deixei de trabalhar! Claro que houve ocasiões em que não pude ir, em razão das dificuldades físicas e, em outras, não pude deixar de ir… E tudo isso faz parte!

Precisou fazer cirurgia para a remoção das mamas?
Quanto à remoção das mamas, eu tive a opção de tirar somente um quadrante, ou seja, o local infectado. Mas isso também se deve ao autoexame, porque ele foi descoberto muito rapidamente e não teve tempo de crescer e se espalhar.

O que você acha que fez a diferença durante o processo?
Tão importante quanto a família, são os amigos. E eu tenho muitos amigos! Eles, sim,fizeram toda a diferença durante meu tratamento, e fazem até hoje! O otimismo e o bom humor são fundamentais, também, pra gente superar essa loucura que fica na cabeça. O tumor não pode ser maior que a gente; ele, por si, só já é um pesar, e cabe a nós tentarmos dar um pouco de leveza para a situação e ter a certeza de que vai passar, porque tudo passa. É só uma questão de tempo, de paciência e, principalmente, de muita fé! Fé na vida, fé no amor e, principalmente, fé em Deus!

O que mais a marcou nesse momento da sua vida?
Foi descobrir que eu não me conhecia tão bem quanto achava que me conhecia. E olha que vou fazer 50 anos! Descobri coisas lindas em mim, mas descobri coisas que não gostei também, por exemplo: eu me achava extremamente humilde e descobri que era orgulhosa. Trabalho intensamente isso dentro de mim, todos os dias; se a gente percebe, a gente tem que mudar! Sempre fui provedora na minha casa, sempre cuidei dos meus e, quando percebi que era orgulhosa? Quando tive que trocar de lugar e ser cuidada; não aceitar ou, muitas vezes, não pedir ajuda e dizer “não se preocupe”, “não precisa”; esta é a forma da gente achar que está dizendo isso porque não quer dar trabalho, e isso nada mais é do que “não aceitar que precisa do outro”, e se chama orgulho. É muito difícil, mas dá pra ser diferente, e isso a gente aprende também, um dia de cada vez.

O que você diria para alguém que está passando pelo que você enfrentou?
Tenha fé, tenha amigos, tenha humildade, aceite ajuda, não tenha medo e, principalmente, tenha esperança. Confie sempre e tenha a certeza de que nada é por acaso; se estamos passando por um processo doloroso, é porque temos que passá-lo. Na nossa pequenês, não conseguimos enxergar adiante, muitas vezes não faz sentido, mas, ainda assim, confie, porque  “tudo que não nos mata, nos fortalece”.

Algo mais? Quer deixar uma mensagem?
Viva a vida!
“Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais, hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe, eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei e nada sei” – Almir Sater.

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