Sobre O Município

Escrevendo a história desde 1921: conheça os personagens que passaram pelo Jornal O Município nestes 100 anos

Fundado por Alante Lorenzetti, o “Municipio” surgia, em 16 de outubro de 1921, com redação à Rua José Bonifácio, nº 53/55, na mesma rua onde funciona hoje, agora no número 121. Precursor da imprensa no interior, Alante já havia fundado outros jornais nesta cidade, entre eles o “Mogiana” e o “Comércio de Socorro”.

Com circulação ininterrupta e superando as adversidades econômicas ao longo das décadas, o “Municipio” seguiu dedicando-se democraticamente a divulgação dos interesses locais, mesmo alicerce de todos que estiveram à frente de sua direção.

No ano de 1928, o jornal passava para as mãos de José Isidro de Toledo, tendo como redator o socorrense Ernesto Tardelli e transferindo sua redação para a Rua 13 de Maio, nº 291. Três anos depois, o “Municipio” foi adquirido por Alfredo Ferragutti e Antonio Benjamin Lorenzetti, conhecido como Bejo que, pouco tempo depois, se retirava da sociedade, falecendo no ano de 1947.

O farmacêutico José Picarelli atuou como redator, de 1931 a 1932. Em 11 de agosto de 1946, este órgão foi vendido para novos proprietários, que constituíram a empresa “O Município” Limitada, formada por Mario de Oliveira Araújo, Felício Vita Junior, Imir Baladi, Antonio Gonçalves Dantas, José Franco Craveiro e Francisco Comito, este último retirando-se algum tempo depois.

A empresa “O Município Ltda” – além de jornal, estendeu suas atividades ao comércio de papelaria, livraria, tipografia, artigos para presentes, eletrodomésticos etc., constituindo-se na maior casa do ramo na cidade, inclusive com majestosa sede própria, em pleno centro comercial. Com a transferência dessas atividades comerciais a terceiros, exceto o jornal que lhe deu origem, as oficinas de “O Município” passaram a funcionar na residência do seu diretor, o professor Imir Baladi, que o dirigiu por mais de 34 anos, com invejável capacidade.
Além da posição de destaque de seus diretores nas variadas instituições locais, beneficentes ou recreativas, três deles foram vereadores à Câmara Municipal local: José Franco Craveiro, dr. Mario de Oliveira Araujo (presidente) e Imir Baladi, que também foi prefeito no período de 1970 a 1975. Durante esse período, a esposa do então chefe do executivo, professora Cacilda Valente Baladi, passou a dirigir O Município.

Grandes e inesquecíveis edições circularam desde a sua fundação. Em 1956, o jornal publicou uma edição comemorativa ao aniversário da cidade, com 56 páginas e, no ano seguinte, outra com 52 páginas e em 3 cores. Foram as duas maiores edições em número de páginas, já publicadas pelo jornal.

Em 1970, um acidente marca a história do jornal. A cidade de Socorro passou pela maior enchente dos últimos tempos e O Município, que possuía um arquivo completo, com todos seus exemplares encadernados, teve a maior parte deles destruída. Foram perdidos mais de 30 anos da história do jornal e importantes registros da cidade.

 

Do chumbo ao teclado: a modernização
Em abril de 1980, o jornal de 6 páginas e tiragem de 280 exemplares, distribuído somente para assinantes, é adquirido por Antonio Fontana Filho, que promove uma série de ações e investimentos que vieram para revolucioná-lo. Casou-se com Marisa de Souza Pinto Fontana, com quem dividiu os anos de direção. Inicia-se, também, uma forte campanha para novos assinantes.

Da modesta e acanhada salinha da Rua Etore Mantovani, em 1985, as oficinas, recepção, escritório e redação passaram para novo endereço, na esquina da Rua José Bonifácio, desta vez, já em chão próprio. Em seguida, expandiu para o endereço em que se encontra até hoje e onde, antes, funcionava uma serralheria.

Ali se encontravam as oficinas do O Município lotadas de máquinas indispensáveis, adquiridas pela equipe de Antonio Fontana Filho que, autodidata, aprendia a mexer sozinho em todas elas. A ousadia também lhe rendeu quase a perda de um dedo, ficando cravada a cicatriz. Uma nova e possante Linotipo e uma grande impressora, que possibilitavam o novo tamanho do jornal, e ali trabalhavam diariamente, horas a fio, engolindo artigos, crônicas, anúncios, boletins, talões de notas, enfim, impressos em geral.

Houve a modernização no sistema de impressão, que passou de composição tipográfica para o Linotipo. A gráfica chegou a ter 3 grandes dessas Linotipos – composta de um teclado, como o da máquina de escrever, a máquina inventada na Alemanha fundia em chumbo cada linha do jornal. Destaca-se nessa época a atuação da funcionária Sonia Maria Camilo de Camargo Santos.
Já em 1990, os primeiros computadores chegaram à redação, trazidos pelo próprio diretor, do Paraguai. Naquela época, o Brasil estava fechado à importação e, desta maneira, O Município começou a ser informatizado, abandonando as máquinas pesadas e, em 11/02/1992, o chumbo começa a fazer parte do passado na história do jornal e a impressão mecânica deixada de lado.

Já na era da informática, foram desenvolvidos novos projetos para agilizar o trabalho jornalístico. Com os computadores, o jornal conseguiu maior controle sobre a qualidade de seu trabalho. Surgiram as páginas coloridas, novos e modernos programas para diagramação e publicidade e a impressão passou a ser terceirizada, para modernos parques gráficos da região. Por mais de uma década, o jornal O Município contou com a colaboração e revisão da professora Tarsila Picarelli.

No ano 2000, O Município já contava com uma tiragem de 4000 exemplares, fortemente distribuídos em Socorro, em toda zona rural e em cidades vizinhas. Em 2007, vítima de um câncer fulminante, Antonio Fontana Filho falece, aos 50 anos e O Município veste-se de luto, circulando com sua capa em preto e branco. Posteriormente, sua esposa se afasta da empresa, para assumir o cargo de primeira prefeita de Socorro, ficando a direção do jornal a cargo da filha jornalista Marisa.

Para marcar seus 90 anos de fundação, em 2011, O Município lança um novo projeto gráfico.

 

Uma longa jornada e o caminho para a era digital
Em todo esse tempo, também erramos. Porém, como já dizia seu primeiro editorial, em 1921, “não nos elevamos ao píncaro da infallibilidade. Absolutamente! Poderemos errar. Mas si errarmos, esses erros não poderão toldar o nosso programma em sua essencia. Esses erros, si existirem, serão mais filhos da vontade de acertar do que da má fé e da perfídia”.

Em 2013, chegando à sua edição nº 4767, atingia 6300 exemplares distribuídos toda sexta-feira para nossos mais fiéis e cativos leitores. Na escrita e revisão, destaque para a atuação da jornalista Maria Tereza Ferraz do Carmo.

O avanço da internet trouxe mudanças no perfil do jornal impresso, que passou pelas redes sociais e, em 2021 – ano do centenário, trouxe um novo site para o leitor, com mais notícias, espaço para anunciantes e assinatura online.

Estamos felizes em chegar aos 100 anos registrando a história da cidade, valorizando sempre o trabalho dos socorrenses e daqueles que escolheram esta terra para viver e brilhar.

Continuamos fazendo de O Município um meio em defesa dos interesses de Socorro, de acesso a informação, com espaço irrestrito às ações que contribuem para o crescimento de cidade. Sob nossos ombros pesa, com orgulho, a responsabilidade dessa tradição, da imparcialidade na comunicação e da confiança de nossos leitores.

Equipe dos 100 anos

Mais que amigos, uma Família Jornal!

Em 2021 atuam firmemente na redação: Marisa Souza Pinto Fontana, jornalista e diretora desde o ano 2000.

A gerência está a cargo de Elias Ap. Tibúrcio, que entrou ainda como guardinha mirim, permanecendo ininterruptamente na empresa desde 1986 e devido à convivência tem os mesmos traços de trabalho do saudoso Buka.
Aluane José Pereira, o Lé, começou na tipografia, avançou para o tratamento de fotos, e também segue na empresa desde 1979. Agora também ajuda na distribuição de jornais pela cidade e zona rural.
Desde 1982, Marcos Ferreira Forão também veste a camisa do jornal. Ele, que começou como tipógrafo, hoje atua como diagramador, editor de esportes e na distribuição de jornais.

Nas entrevistas e reportagens, as jornalistas Stela Calafiori e Laila Faria. Ambas começaram como estagiárias nos anos de 2009 e 2013, respectivamente, referências em credibilidade da informação.

Valdemar Franceschetti, outro fiel membro da equipe, segue desde 1986, nas áreas de venda e distribuição.

Na publicidade, a responsabilidade é de Amanda Caroline, designer desde 2018.

Na revisão e em constante colaboração com textos na área da cultura e educação, a linguista Letícia Paula de Freitas, desde 2019. Também não podemos deixar de citar a valorosa colaboração da professora Elza Martha Fontana, que aos 96 anos, segue lendo antecipadamente o jornal de sua casa, corrigindo textos e nos ofertando com dados históricos e seus sábios pareceres.

Para circular toda sexta-feira, a equipe recebe o reforço extra de Regina, Tatinha e Josefina, na organização e separação das remessas de jornais.

Enfim, são muitos os colaboradores e profissionais que passaram por nossa redação, contribuindo e fazendo parte dessa trajetória!

Obrigado a todos que nos ajudaram a chegar até aqui!