Uma alimentação individual e balanceada também faz parte do tratamento de um dependente químico

Leitura obrigatória

Uma boa nutrição é muito importante para o sucesso do tratamento de pacientes dependentes químicos e com transtornos mentais. A nutricionista da Clínica Travessia, dra. Valéria Silvério de Godoy, explica mais sobre o assunto e também comenta sobre como é elaborada a alimentação dos pacientes, as prioridades no cardápio e os benefícios de uma alimentação balanceada e saudável para o tratamento.

OM – Quais cuidados devem ser tomados ao se preparar uma dieta a um dependente químico?
Em primeiro lugar, avaliar a história clínica – por exemplo, saber por quantos dias esse paciente está sem se alimentar; se fez uso do álcool, pode estar desidratado e, imediatamente, alimentá-lo e hidratá-lo. Em seguida, solicitamos os exames laboratoriais para preparar uma dieta individualizada e balanceada.

OM – O tipo de dependência é levado em consideração? .
Sim. Pois cada dependência causa uma lesão ao organismo. Por exemplo, o álcool impede a absorção do cálcio nos ossos, levando à osteoporose, além de acumular gordura no fígado, causando esteatose, podendo chegar a uma cirrose hepática.
A cocaína pode afetar o sistema nervoso central e matar os neurônios; além disso, por ficar muitas horas na corrente sanguínea, sobrecarrega a função renal, podendo causar uma lesão irreversível nos rins. Já o Crack é a pior de todas, pois, pode causar todas essas lesões acima e ainda afetar a memória. A mais comum de todas e a mais fácil de achar é a maconha, e já existem estudos recentes que comprovam que a droga é cancerígena. Essas são as mais comuns, mas existem, hoje, no mercado, muitas outras drogas.

OM – Quais são os principais nutrientes que faltam no organismo de um dependente?
No organismo de um dependente químico faltam quase todos os nutrientes e, normalmente, ele chega com o hemograma alterado, imunidade baixa, falta de vitamina D, de cálcio, ferro, zinco, magnésio, vitamina C etc. Após três meses de tratamento, suplementação mais dieta individualizada, novos exames laboratoriais são solicitados.

OM – Como é feito o acompanhamento, caso o paciente receba alta? A família pode colaborar?
 A família colabora, sim, pois tudo é feito com a sua participação. A clínica organiza visitas para o paciente, durante o período de internação e, após alta, ele é encaminhado à nossa equipe, que dá continuidade ao tratamento.

OM – Algo mais?
A Clinica Travessia tem uma cozinha industrial com um cardápio, desde o café da manhã/ almoço/lanche da tarde/ jantar e ceia, elaborado por mim. Temos sucos que desintoxicam o organismo, elaborados com frutas cítricas, gengibre, folhas verdes, além de alimentos integrais, queijos brancos e frutas. No almoço, por exemplo, temos sempre 3 tipos de saladas, uma guarnição, uma proteína que pode variar entre frango, peixes, carnes magras e ovos; arroz e feijão ou uma massa, com uma sobremesa. No jantar é Dra Valéria Silvériosparecido com o almoço, porém nunca repete, e no lanche da tarde sempre temos uma salada de frutas. Na ceia servimos leite com achocolatado e um biscoito de leite ou torrada ou bolacha salgada.
Os pacientes também praticam atividades físicas e desportivas, como academia, futebol, laborterapia etc., para complementar o tratamento.

OM – Serviço
A dra. Valéria Silvério de Godoy é nutricionista especialista em Doenças Renais (Unicamp), e mestre em Saúde da Criança e do Adolescente. Trabalha na Clínica Travessia, em Monte Alegre do Sul e o telefone para contato é o (19) 3899- 2115.
Em Socorro ela atende como nutricionista clínica com convênio pela Amil e particular, no Sindicato Rural. O telefone para contato é 3895-2526.
Na foto ao lado, Valéria, em recente entrevista sobre o tema, concedida para o SBT

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