Uso irregular de medicamentos veterinários por jovens pode causar dependência e morte

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A busca imediata por um corpo perfeito e musculoso faz com que muitas pessoas, principalmente os jovens, deixem de lado hábitos saudáveis e apelem para outras medidas que podem ser muito prejudiciais à saúde, causando dependência e até morte.

Uma das substâncias que têm sido procuradas é o Potenay, um complexo vitamínico indicado para animais e que tem, entre os efeitos colaterais, a elevação da pressão arterial e da frequência cardíaca e aumento da frequência respiratória e  circulatória.  Além disso, é usado para aumentar o tônus muscular e o rendimento energético dos animais, em atividades desportivas.

“O grande problema é que, além das vitaminas, ele possui 600 mg de mefentermina, um tipo de anfetamina que pode causar dependência e levar à morte, caso seja administrada em altas doses. O recomendado é que sejam aplicados de 1 a 2ml a cada 25 quilos de peso, no caso dos cavalos. A ampola vem com 10 ml e, pelo que li, esses jovens têm feito a aplicação de toda a substância, diretamente no músculo”, enfatiza o veterinário Ewerton Henrique, que disse ter visto uma reportagem em que um lutador de 23 anos morreu no tatame, após um ataque fulminante, culminado pelo uso da substância. “As vitaminas presentes no Potenay aumentam a construção da musculatura, porém, não se trata de um anabolizante e, sim, de um complexo vitamínico. Por isso é que, em muitos estabelecimentos, ele é vendido sem uma receita médica, o que não é o meu caso”, completa ele.

Há pouco mais de um mês, dois adolescentes foram abordados saindo de uma agropecuária, em uma moto. Como o piloto estava sem habilitação, eles foram levados para a delegacia e o veículo foi apreendido. Com eles, foram encontrados 6 frascos de “Potenay”, oito agulhas descartáveis e duas seringas descartáveis usadas. Ao serem indagados, os jovens alegaram ter comprado o produto para uso próprio. Na época, a autoridade policial relatou que já foi instaurado inquérito policial para apuração dos fatos, e foi determinada a apreensão dos frascos de Potenay, das agulhas e das seringas, para exame pericial. “No transcorrer do inquérito, será verificada a eventual responsabilidade dos menores, dos pais, bem como do estabelecimento que efetuou a transação comercial do produto, aos jovens”, afirmou o delegado, dr. Alexandre Ortiz das Neves.

“Em animais, a dose recomendada é, geralmente, administrada em intervalos de uma semana a dez dias; ouço caso de jovens que usam todos os dias! E esta dependência do Potenay se dá por causa da menfetermina, que está presente no produto. Quando a pessoa para de usar, ela se sente indisposta e, por isso, sente a necessidade de usar sempre.”, explica o veterinário.

Anabolizante

Além do Potenay, muitos jovens se dirigem às clínicas veterinárias e agropecuárias em busca de anabolizante animal, o qual também pode matar, em decorrência das elevadas doses que não foram feitas para serem absorvidas pelo organismo do ser humano. “Geralmente, de uma ampola de 10 ml, utilizamos 50 mg em um cavalo com cerca de 500 quilos de peso. Além do uso ser irresponsável, a dose administrada também pode ser, o que vai sobrecarregar os órgãos de qualquer ser humano. O abuso dessa droga tem efeitos devastadores sobre o organismo. Ela provoca disfunção hepática, já que o fígado não consegue metabolizar uma alta dose de hormônios. Além disso, queda de pelos, atrofia dos testículos e impotência, pois, com a aplicação hormonal o corpo deixa de produzi-los, acarretando em uma deficiência hormonal, caso haja uma pausa no uso do anabolizante . Nos casos extremos, o hábito pode levar ao desenvolvimento de câncer no fígado”, explica Ewerton.

Tanto no caso do Potenay, quanto dos anabolizantes, além dos riscos que os próprios componentes que cada substância possui, o modo de aplicação também pode ser prejudicial, caso não seja feito de forma correta. O veterinário alerta que toda e qualquer aplicação de medicamento nos animais tem que ser acompanhada de um veterinário para evitar o risco de contaminação, já que ele se responsabiliza pela assepsia do local. Outro risco é o de choque anafilático. “Se o animal tem alergia por algum tipo de substância, eu vou ter em minha maleta o antídoto para evitar o choque e aplicar a tempo, evitando que ele morra. Já o ser humano, quando aplica por conta, pode não ter  em mãos o remédio, não dando tempo de socorrê-lo”, enfatiza o veterinário. “Sem falar que, no caso destas substâncias, elas possuem aplicação parenteral, ou seja, por injeção, o que evita a sua retirada do organismo. Uma vez aplicada, não há como reverter o processo”, conclui.

Quetamina

Outra substância feita para animais que tem sido muito utilizada de forma irregular pelo ser humano é a quetamina, um anestésico geral. Segundo Ewerton, é uma substância controlada, que deve ser vendida somente com receita; ele mesmo vende somente para veterinários. “Já teve gente que veio comprar, dizendo que outro veterinário havia pedido; não vendi e ainda entrei em contato com o suposto profissional, que negou tudo! Tem que ficar esperto”, diz ele.

A droga tem sido muito utilizada em festas rave, por ter seus efeitos semelhantes ao da cocaína e também causa dependência. Há relatos de pessoas que perderam a vida por conta do vício.

O veterinário explica que, no ser humano, a droga trabalha como um depressor do sistema nervoso central, podendo causar uma parada respiratória.  Seu uso recreativo provoca um estado mental alterado e psicodélico; em doses elevadas, ela produz delírios e alucinações vívidas. Seus principais efeitos incluem ansiedade, alterações da percepção (perda da noção do perigo, perturbações visuais), comprometimento da função motora e efeito analgésico.

Ewerton encerra a entrevista, alertando que a toxicidade da quetamina pode ser ainda aumentada por substâncias depressoras do sistema nervoso central ou do sistema respiratório, como o álcool, ou por compostos com efeitos cardioestimulantes, como a cocaína e as anfetaminas.

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