Veterinária fala sobre os impactos dos fogos de artifício sobre os animais

Leitura obrigatória

O som ensurdecedor e o brilho intenso emitidos em shows pirotécnicos (fogos de artifício) são fontes de perturbação para inúmeras espécies de animais domésticos e silvestres, no mundo todo.

É do conhecimento de todos que os animais ficam desesperados com o barulho das explosões de fogos de artifício. Há relatos de cães que fugiram, se machucaram e tiveram ataques de pânico e desmaios, durante um show pirotécnico nas proximidades. Os ouvidos dos cães e gatos, bem como de muitos animais silvestres, são bastante sensíveis, o que torna o ruído dos estouros muito mais perturbador e assustador.

Os sinais clínicos mais frequentes são: medo, ansiedade, vômitos, convulsões, síncope, taquicardia. Em animais epiléticos, tais ruídos desencadeiam convulsões mesmo já sob medicação controlada. Já nos cardiopatas, os animais apresentam arritmias cardíacas. Quanto às aves, estas abandonam seus ninhos deixando seus filhotes, voam de um lado para o outro a longas distâncias e altas altitudes.

O propósito da matéria é relatar um dos atendimentos realizados pela médica veterinária Sheysa T. Granado, após a queima de fogos, na cidade de Campinas.

O tutor (proprietário) do animal estava festejando o ano novo numa casa próxima à sua, e o animal encontrava-se sozinho.

Na manhã seguinte do dia 01/01/2018, ao sair no quintal, o proprietário deparou com poças de sangue para todo lado e seu animal machucado foi quando solicitou uma consulta à veterinária.

“É uma cadela de grande porte, da raça fila brasileiro, de 4,anos, que ainda estava bastante assustada. Tranquilizei-a e, logo em seguida, a examinei. O animal apresentava múltiplas lesões na cavidade oral (língua), membros anteriores e posteriores (patas) e unhas já bem “gastas”, pois tentou se abrigar dentro de uma churrasqueira, conforme a foto ao lado. Foram feitos procedimentos como antissepsia das lesões e, em algumas, foram necessárias à realização de suturas, bem como aplicação de antibióticos, anti-inflamatórios e analgésicos”, relata a dra. Sheysa.

Segundo a médica veterinária, a primeira reação é acolher o animal no colo, acalmar, fazer carinho, mas atitudes assim só pioram a situação, pois o animal associa que o seu tutor (dono) também está com medo.

Além do estresse que passam, os animais correm o risco de se machucarem, pois no desespero, pulam de qualquer lugar (varanda, portões com lanças), esbarram nas coisas etc. Essa situação causa um mal-estar absurdo, faz o animal perder a noção, pois ficam apavorados.

Os sons audíveis para a espécie humana estão entre as frequências de 20 a 20.000 Hz (Hertz); abaixo deste intervalo, os sons são chamados de infrassons e acima, de ultrassons, que não escutamos. Isso significa que audição se refere à capacidade de percepção e que é limitada para cada espécie. Os cães e morcegos, por exemplo, escutam sons bem acima do nosso limite superior de frequência e, assim, podemos afirmar que somos surdos, comparados a eles.

A audição canina é extremamente desenvolvida. Os cães escutam entre 15 Hz e 50.000 Hz. A partir de 20 Hz, faixa que o homem não detecta, o som pode se tornar incômodo a eles. Os animais que usam o som para se guiar têm capacidades auditivas ainda mais vastas. Os morcegos ouvem a faixa 1 Hz – 120 Hz e os golfinhos, 70 Hz – 240 Hz.

Essa informação é bastante importante, uma vez que muitas pessoas não sabem utilizar aqueles apitos (geralmente usados para adestramento) que são ouvidos só pelos cães. (Texto – MV Drª Sheysa Torres Granado, clínica médica e cirurgiã geral, docente e especialista em diagnóstico por imagem em pequenos animais CRMV 38195.)

Recomendações
1) Não deixe o animal sozinho.
2) O ideal é treinar o animal a se acostumar a barulhos altos. Pode-se ligar a TV no volume máximo ou até mesmo gravar um CD com tempestades ou fogos e colocar para ele ouvir, todos os dias. O barulho dos fogos vira algo corriqueiro, ao qual, aos poucos, ele vai deixar de dar importância.
3) No dia a dia, quando acontece algum barulho, como o estouro de uma bomba, não agache perto do animal.
4) Associe os fogos a coisas legais: brincadeiras, faça festa, dê petiscos. Nada de ficar passando a mão na cabeça do animal ou pegá-lo no colo para acalmá-lo, pois, a interpretação dele será que o tutor (proprietário) também está em pânico!
5) Prefira prendê-lo em lugares que ele goste e sinta-se seguro. Por exemplo, se ele entrou debaixo da cama (o que é bastante comum), o ideal é prendê-lo no quarto.
6) Feche o máximo de portas e janelas, para abafar o som. Acostume-o ao som ambiente relativamente alto e brinque com ele.
7) Animais que necessitarem de medicações, somente devem ser recomendadas e acompanhadas por um médico veterinário.

- Anunciantes -
- Anunciantes -

Últimas notícias