Visita de um cadeirante a Socorro-SP

Leitura obrigatória

A cidade de Socorro é conhecida nacional e até internacionalmente como referência no turismo acessível, o que rendeu até o prêmio Rainha Sofia de Acessibilidade, recebido pelo prefeito André Bozola, no dia 1º de abril, no valor de aproximadamente R$ 50 mil.

Porém, o que é muito mostrado e falado na teoria, na prática acaba sendo um pouco diferente. O analista de sistemas Valdir Gonçalves, cadeirante, esteve na cidade no dia 2 de maio, e nos enviou um relato sobre impressão que teve sobre Socorro.

Depoimento

“Confesso que fiquei um pouco frustrado, enquanto turista, ao chegar no meio de um feriado e os postos turísticos de informação estarem fechados. Ao chegar à cidade, pelo portal vermelho / marrom, optei por parar, pois vi uma placa de informações turísticas. Sempre paro nesses pontos para obter informações que sejam relevantes e conversar sobre os locais. Era feriado prolongado, numa cidade turística e o principal, informações turísticas, não estavam disponíveis. Como assim?!

Fomos adiante, rodoviárias sempre possuem folhetos e locais para informação e na que existe no centro, não encontramos nada. Conseguimos algumas informações com um funcionário do posto de combustíveis e fomos até o Palácio das Águias, onde localizamos ‘alguém’ do turismo e alguns folhetos.

Na visita ao centro, realmente um ponto positivo. Se comparada às grandes cidades, acredito que Socorro esteja realmente à frente delas, ao menos no número de rampas. Algumas irregulares, mas também tenho que ressaltar que são situações onde a arquitetura não permite a adequação. Dois pontos que chamaram minha atenção, também, foram duas “lombadas”. A faixa inteira de pedestres tornou-se uma lombada nivelando as duas calçadas. Além de diminuir a velocidade dos carros, facilita muito nossa circulação, em se falando de cadeirantes.

Palácio das Águias. Ao terminarmos nossa visita ao centro, retornando para o carro, resolvi perguntar a um guarda municipal sobre os veículos que estavam parados em frente ao prédio. A propaganda política era, para mim, ofensiva. Se os veículos foram comprados com os recursos públicos e um maquinário foi doado pelo Governo Federal pelo PAC2, por que eles estavam ali, parados, e não sendo utilizados? Logo saquei a câmera e fiz algumas imagens. Sem muitos argumentos, o policial apressou-se em dizer que após o feriadão, os veículos seriam retirados dali.

Visita ao Mirante. Confesso que houve até um certo constrangimento, principalmente neste ponto. Lá, além da sujeira e ar de abandono, o elevador estava desligado ou quebrado. Resumo, meus amigos subiram e eu fiquei plantado lá, em frente às placas de vidro que, pelo menos, diminuíram o desconforto da diferença criada.

Minha sugestão é eliminar o elevador, que é caro e deve ter manutenção igualmente onerosa e construam uma rampa. É possível, viável, atende a todos e a manutenção será mínima. Sem falar que o ideal seria ter um segurança, vigia ou funcionário. Só encontramos velas e alguns funcionários que faziam a manutenção da estrada de acesso.

Por falar em estrada de acesso, nos perdermos, para chegar lá. Não há sinalização suficiente. Tente fazer o percurso, saindo do centro até lá, mas imaginando que você não conheça o local. Ao passar em frente a uma faculdade, há uma placa indicando virar a esquerda e não fazer o retorno. Saímos da via e entramos na lateral de um prédio municipal. Quase subi uma estrada de terra, mas achei estranho e voltei.

Feira de Malhas. Pelo número de pessoas circulando, realmente imaginei que seria difícil estacionar, mas minha surpresa foi mesmo com a vaga que dizem ser para pessoas com deficiência. Só consegui descer do meu carro porque não havia outro estacionado ao lado. Certamente acredito que saibam que existe um padrão para essas vagas, sem falar na área zebrada, que serve para o embarque e desembarque do veículo. Na saída, com um carro parado ao lado do meu, além de pedir para um amigo sair com o carro, tive que dar uma volta quase completa e ainda circular entre os carros que saíam de outras vagas, pela pista de saída dos veículos. Impossível estacionar ali. Como disse, não é uma vaga para pessoas com deficiência e sim uma vaga ninja.

Para encerrar, minha ideia da visita era tentar mostrar um lugar diferente, que divulga ser um exemplo de acessibilidade, mas voltei para São Paulo com a certeza de ser apenas mais um lugar. Tenho um blog, desatualizado no momento, pois estou reformulando. Parte da reformulação é mostrar dicas e lugares interessantes que pessoas com deficiências possam visitar e até economizar um pouco, afinal, poucos de nós podemos pagar as diárias de algumas hospedagens aí da cidade.

A ideia era conhecer a cidade e indicar um turismo legal, mais barato e que fugisse do contexto de turismo de aventura, que já é bem explorado. Ou seja, não tenho o que escrever. Aqui vai meu desabafo e crítica. Não entendam isso como pessoal ou “coisa da oposição”, mas como a opinião de um cidadão. Prestem atenção, autoridades socorrenses, quem se diz ser referência não pode causar este tipo de inconveniência para as pessoas com deficiência. Na teoria tudo é lindo e maravilhoso, mas na prática… Falta muuuuita coisa.  Enfim, esse foi meu passeio por Socorro, um local ao qual, provavelmente, não retornarei.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Olá a todos.

    Pois é, fomos convidado pelo nosso amigo Valdir Gonçalves,para conhecermos essa tal cidade,que seria o tal exemplo de acessibilidade. Depois do passeio frustrado,fiquei pensando,noooossa!! Se essa ciade ganhou um prêmio de acessibilidade,quem deu esse prêmio?? Quais os critérios para esse prêmio? Pois eu achei tudo mau feito,os lugares turisticos na maioria deles sem acesso e em muitos nao conseguimos ir, pois tinhamos sempre que deixa-lo sozinho. Isso chega a ser um desrespeito com o visitante.

    abraços
    Alceu Rosa

  2. Se o amigo Valdir Gonçalves,em apenas um dia encontrou todas essas irregularidades” em uma cidade conhecida como exemplo de acessibilidade,imagine os moradores da cidade que são deficientes físicos ou tem mobilidade reduzida e que convive com essa situação todos os dias.
    Exemplo:Sou portador de Distrofia Muscular Progressiva,que não me permite deambular minhas funções.Se preciso ir ao fórum,”embora muito bem atendido por todos” não consigo porque não possui rampa de acesso,nem na Delegacia,muito menos no centro cultural,quando quero assistir um espetáculo de teatro,por exemplo, preciso pedir para “alguém” abrir uma porta lateral para que eu posso entrar,entenderam.? preciso “pedir”. quando na realidade essa porta deveria estar aberta durante os espetáculos. Calçadas e ruas,sem comentários para uma cidade acessível. Mas isso só muda quando a cultura do pais mudar,mas pelo visto isso vai demorar e muito.

    Abraços

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