A comunidade do Oratório vive nesta sexta-feira a criação da Paróquia São José Operário. A celebração será às 19h, com missa presidida por Dom Sérgio Aparecido Colombo, reunindo as sete comunidades que passam a integrar oficialmente a nova paróquia.

Para o padre Francisco Gilson de Souza Lima, o momento representa a consolidação de uma caminhada pastoral construída ao longo dos últimos anos. Ele explica que a criação de uma paróquia não deve ser vista como uma divisão territorial, mas como o olhar da Igreja para as necessidades concretas dos fiéis. “A paróquia surge da necessidade de atender melhor uma comunidade de fiéis; nela, torna-se visível a Igreja – comunhão de batizados, Povo de Deus”, afirmou.

O padre explica que, como o Oratório já vive há cerca de três anos a experiência de Área Pastoral, a transição deve ocorrer de forma natural no cotidiano da comunidade. Ainda assim, o sacerdote ressalta que a missão da Igreja continua em movimento. “A missão nunca pode estagnar”, disse, ao defender o crescimento permanente da evangelização. “Jesus mesmo diz: “Tenho ainda outras ovelhas que não estão nesse redil. Também a elas devo conduzir” (Jo 10,16)”, cita ele.

A celebração desta semana também marca, segundo ele, um momento de comunhão com a Igreja diocesana e de gratidão por tudo o que foi construído. “Será um momento de grande importância, porque é no altar da Eucaristia que a comunidade se encontra. E, como sucessor dos Apóstolos, é certo que a presença do bispo nos coloca na comunhão apostólica. Santo Inácio de Antioquia, que foi discípulo de São João, discípulo de Jesus, ensina na Carta aos Esmirnenses 8, que, onde quer que esteja o bispo, nos é assegurada a presença de Cristo e da Igreja”, destaca o sacerdote, resumindo esse sentimento no reconhecimento a Deus, à comunidade está cada vez mais unida e ao bispo pela confiança no trabalho desenvolvido.

Segundo o padre Francisco, nesta nova fase, as prioridades serão dar continuidade ao que já foi iniciado e ampliar ações pastorais mais concretas, como a Pastoral Familiar. No campo material, o principal desafio será a construção de uma nova igreja, já que o espaço atual não comporta mais os fiéis aos domingos e nas grandes solenidades.

“Quem imaginou que, no meio daqueles que outrora foram tão marginalizados, surgiria uma nova Paróquia? Deus está no meio dos pobres, e é Ele quem nos dignifica como filhos seus”, destaca ele, revelando que projeta, ainda, um projeto social voltado às crianças. “É um sonho que tenho. Não sei ainda o quê; apenas penso que seja necessário cuidar das gerações futuras. São José providenciará, e Deus nos abençoará”.

Ao resumir o significado desse momento para o Oratório, padre Francisco escolhe o lema paroquial: “Somos auxiliares de Deus”. Para ele, a nova paróquia deve ser compreendida como comunidade viva de fé e serviço, muito além de uma simples estrutura. “A paróquia está muito longe de ser uma simples estrutura. É, em primeiro lugar, comunidade de fiéis”, afirmou.

“Comunidade vem do latim communis, communitas, que evoca a qualidade do que é comum, compartilhado, o companheirismo. E também da palavra munus, que quer dizer dom, obrigação ou serviço. Assim, communitas, comunidade, traz a ideia de “serviço compartilhado por todos os fiéis”. Quando o Papa Francisco escreveu sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, chamanos a atenção ao dizer: “Não deixemos que nos roubem a comunidade!”. E como a comunidade pode nos ser roubada? Primeiro, não se cada membro não assumir sua pertença e seu compromisso eclesial. Segundo, tomarei outra ideia do Papa Francisco na mesma exortação, que é o pessimismo. Diz o Papa que o pessimismo estéril que nos torna lamurientos. Deus nos livre desse mal”, conclui ele.

Uma paróquia construída com a participação da comunidade

A Paróquia São José Operário nasceu de uma caminhada construída ao longo dos últimos anos no bairro do Oratório. Sob a liderança do padre Francisco Gilson de Souza Lima, o projeto foi pensado para fortalecer a comunidade de fé local e dar mais centralidade às atividades pastorais.

Antes da instituição oficial, a região já vivia a experiência de Área Pastoral, etapa considerada decisiva para consolidar a vida comunitária e amadurecer o projeto. A matriz escolhida, a Igreja Nossa Senhora da Conceição Aparecida, também foi definida por sua localização central, facilitando o acesso dos fiéis, especialmente nas grandes celebrações da Semana Santa.

A escolha de São José Operário como padroeiro carrega também um sentido histórico e simbólico. Além de evitar duplicidade com outra paróquia já existente na cidade, dedicada à Nossa Senhora da Conceição Aparecida, o nome foi escolhido para dialogar com a realidade da região, marcada pela forte presença do trabalho e da vida rural. São José, patrono universal e protetor dos trabalhadores, tornou-se um nome que representa a identidade local e o esforço da comunidade.

Ao longo dessa caminhada, a participação dos fiéis foi apontada como um dos pilares do processo. Houve doações em dinheiro, trabalho manual e presença constante nas atividades pastorais, o que permitiu avanços concretos, entre eles a conquista da casa paroquial.