A saúde mental é uma parte fundamental da saúde geral e do bem-estar, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 970 milhões de pessoas em todo o mundo vivam com algum transtorno mental. Depressão e ansiedade são os transtornos mais comuns, impactando severamente a qualidade de vida e o funcionamento diário. A falta de cuidado com a saúde mental pode resultar em prejuízos econômicos, sociais e de saúde pública, sendo um dos principais fatores de incapacidade global.

De acordo com a OMS, os transtornos mentais afetam cerca de 1 em cada 8 pessoas no mundo. Estima-se que a pandemia da COVID-19 tenha gerado um aumento de 25% na prevalência global de ansiedade e depressão. Além disso, a cada 40 segundos, uma pessoa morre por suicídio, o que equivale a cerca de 700.000 mortes por ano, destacando a urgência de medidas eficazes e contínuas no campo
da saúde mental.

Embora o mês de setembro, com a campanha do “Setembro Amarelo”, traga à tona a discussão sobre saúde mental e prevenção ao suicídio, é fundamental que essas questões sejam abordadas de forma contínua ao longo de todo o ano. A saúde mental não pode ser negligenciada nos outros meses, já que o tratamento adequado, o apoio psicossocial e políticas de prevenção são essenciais para reduzir o estigma e aumentar o acesso a serviços de qualidade.

A OMS recomenda diversas estratégias políticas para que a saúde mental seja cuidada de forma integral e ao longo do ano, a saber:

Integração da Saúde Mental nos Serviços de Atenção Primária
Garantir que os profissionais de saúde da atenção primária estejam capacitados para identificar e tratar transtornos mentais comuns. Isso amplia o acesso ao tratamento e reduz a sobrecarga de serviços especializados;

Educação e Sensibilização
Contínua: Promover campanhas de conscientização sobre a saúde mental, não apenas durante eventos como o Setembro Amarelo, mas ao longo de todo o ano, para reduzir o estigma e encorajar a busca por ajuda;

Políticas de Prevenção
Desenvolver programas de prevenção focados em populações vulneráveis, como crianças, adolescentes, idosos e pessoas em situação de crise (desastres naturais, conflitos, pandemia);

Investimento em Serviços de Saúde Mental
Aumentar o financiamento destinado à saúde mental é crucial para melhorar a infraestrutura de atendimento, garantir a contratação de profissionais qualificados e promover o desenvolvimento de tratamentos inovadores
e baseados em evidências;

Promoção da Saúde Mental
no Local de Trabalho: A implementação de políticas de saúde mental no ambiente de trabalho, com suporte psicossocial, programas de bem-estar e estratégias de prevenção do estresse ocupacional, pode reduzir o impacto dos transtornos mentais entre trabalhadores;
Apoio Comunitário: Fortale cer redes de apoio comunitário para pessoas com transtornos mentais, envolvendo organizações não governamentais, serviços sociais e grupos de apoio. A integração da comunidade nos cuidados promove um ambiente mais acolhedor e acessível;

Monitoramento e Avaliação:
Acompanhar a eficácia das políticas de saúde mental por meio de indicadores de saúde pública, possibilitando ajustes contínuos para melhorar os resultados dos programas implementados.

A saúde mental precisa ser tratada como prioridade de saúde pública durante todo o ano, com políticas abrangentes e sustentáveis. As estratégias propostas pela OMS são um norte essencial para governos e instituições desenvolverem ações eficazes e contínuas, garantindo que o cuidado com a saúde mental não seja uma ação isolada, mas sim uma prática rotineira e de impacto duradouro.

*Maria Beatriz Zanarella Cruz é Psicóloga – CRP 06/82863 – Profa. Doutora em Avaliação, Psicológica em Contextos de Saúde Mental
@biazanarellapsico.