Por décadas, eles foram símbolo da telefonia nacional e, para muita gente, o único meio de comunicação via telefone. A Anatel anunciou a retirada definitiva dos orelhões, os famosos telefones públicos, de todo território nacional.
Dados da Agência Nacional de Comunicação mostram que Socorro conta atualmente com 51 orelhões ativos, todos operados pela Telefônica, distribuídos em diversos pontos da cidade, deste o Centro até a zona rural, como nos bairros Agudo, Nogueiras, Pereiras, Lavras de Cima, Moquém, Oratório, Camanducaia do Meio entre outros.
No Circuito das Águas, ao todo, 289 telefones públicos estão ativos, todos operados, também pela Telefônica. A cidade com o maior número de orelhões é Serra Negra, com 52 aparelhos, seguida de Socorro (51), Amparo (50), Jaguariúna (32); Pedreira (31); Holambra (22), Águas de Lindoia (19), Lindoia e Monte Alegre do Sul, ambas com 16 telefones públicos.
Motivo da retirada
Segundo a Anatel, a retirada começa agora porque, em 2025, acabaram as concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis pelos aparelhos em todo o país: Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica. Com o fim dos contratos, as operadoras deixam de ter a obrigação legal de manter a infraestrutura de telefones públicos.
A extinção dos aparelhos não será imediata em todos os locais. Em janeiro, começa a remoção em massa de carcaças e aparelhos desativados. Os orelhões só devem ser mantidos em cidades onde não há rede de celular disponível — e apenas até 2028.
Como contrapartida pela desativação, a Anatel determinou que as empresas devem redirecionar seus recursos para investimentos em redes de banda larga e telefonia móvel, tecnologias que hoje dominam a comunicação no país. As ligações locais e nacionais feitas nos aparelhos que ainda estão ativos seguem gratuitas.
Contexto histórico
Durante décadas, os orelhões foram essenciais para a comunicação dos brasileiros, especialmente entre os anos 1970 e o começo dos anos 2000. Facilitavam contatos urgentes, ajudavam a construir histórias, serviam como ponto de encontro e, muitas vezes, eram o único meio de falar com alguém fora de casa.
O orelhão surgiu em 1971, criado pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira. Inicialmente eles tinham outros nomes, como Chu I e Tulipa. Cabines telefônicas existiam em outros países, mas a criação da arquiteta, enquanto trabalhava em uma companhia telefônica, se tornou icônica pelo seu design, reproduzido em outros países como Peru, Angola, Moçambique e China.
Além de diferente, o formato tinha uma justificativa funcional: a qualidade acústica. O som entrava na cabine e era projetado para fora, diminuindo o ruído na ligação e protegia quem falava do barulho externo.
Recentemente, a cabine telefônica voltou a ganhar evidência entre as gerações mais jovens ao aparecer no cartaz do filme “O Agente Secreto”, vencedor do Globo de Ouro e indicado pelo Brasil ao Oscar 2026. Na imagem, Marcelo, personagem vivido por Wagner Moura, surge dentro da cabine oval segurando um telefone público.
O fim de uma era
Quase indispensáveis no passado, os orelhões se tornaram praticamente obsoletos com a popularização dos celulares. Para Socorro, a retirada dos 50 telefones públicos marca o fim de uma era de 54 anos — desde a criação do orelhão em 1971 até sua despedida definitiva das ruas em 2026.
Fonte: Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) — Dados de janeiro de 2025







